Especial 50 anos de horror com "Psicose"!

“Psicose” tirou o sono de muita gente quando foi lançado em junho de 1960 e, mais impressionante, ainda hoje – 50 anos depois – consegue assustar. Não é fácil. Tente assistir qualquer filme de suspense dos anos 70/80 para conferir. Muitos parecem comédias.
A obra-prima do mestre Alfred Hitchcock é a adaptação do livro de Robert Bloch, escrito dois anos antes, descrevendo a vida e os crimes do perturbado Norman Bates, vivido nas telas com maestria por Anthony Perkins. Ele é curiosamente simpático, característica que abandonou nas continuações de “Psicose” nos anos 80. Diferentemente de Janet Leigh, atriz que representa em postura quase estática a personagem Marion Crane – a desavisada que resolve passar uma noite no Bates Motel –, Perkins representa muito bem a conturbada e sombria imaginação do personagem principal. Uma aposta certeira do diretor, visto que o Bates original do livro era gordo, baixinho, bem mais velho e nem um pouco agradável.
As duas cenas clássicas e mais marcantes do filme – chuveiro e escadas – atingem o ápice do medo com a sombria trilha sonora de Bernard Hermann e o jogo de luz e câmeras. No chuveiro, o take dura apenas 45 segundos, mas foram necessárias 70 tomadas e seis dias de filmagens até agradar o diretor. O resultado é uma das cenas mais marcantes e homenageadas do cinema.
Vale lembrar que, em uma época onde os filmes já eram coloridos, Hitchcock optou por filmar Psicose em preto e branco por achar que as cores o deixaria pesado demais para a audiência. E parece ter dado certo, para uma produção que custou US$ 800 mil e rendeu mais de R$ 40 milhões.

curioso, ainda, prestar atenção na quantidade de referências a pássaros durante o filme, não apenas nas locações, como também nos nomes em inglês. O filme seguinte de Hitchcock foi “Os Pássaros” (Birds, 1963), desta vez tirando a vontade de muita gente em levar os filhos para brincar ao ar livre.
“Psicose II” só chegou aos cinemas 23 anos depois, em 1983, quando Hitchcock já estava morto. Dirigido pelo ainda hoje semi-desconhecido Richard Franklin (diretor de episódios da série “Lost World”), trouxe de volta Anthony Perkins para contracenar com Vera Miles, sobrevivente do primeiro filme e que, antes do lançamento do “Psicose” original, fez parte de uma campanha publicitária em que Hitchcock aparecia em tour pelo motel e pelo casarão de Bates.

Em 1986, “Psicose III” chegava às locadoras brasileiras e foi responsável por apresentar a muita gente o mundo de Norman Bates, visto que naquela época era praticamente impossível encontrar cópias do primeiro filme, até mesmo no mercado pirata. Curiosamente, a terceira produção é dirigida pelo próprio Anthony Perkins, no auge de seu caráter sombrio ao personagem.

O quarto e último filme da série não passou pelos cinemas e foi direto para a TV, desta vez dirigido pelo estreante Mick Garris (havia dirigido apenas seriados) em uma espécie de “como tudo começou”, mostrando a infância de Bates e a juventude tresloucada da mãe. E foi em 1998 que o clássico ganhou um remake, com críticas das mais diversas, mas que despontou nos cinemas com Vince Vaughn (“Dois Penetras Bons de Bico”) e Anne Heche (“Jogando com Prazer”) dirigidos por Gus Van Sant (“Milk”).

Quem era rato de locadora ainda deve lembrar do filme “Bates Motel”, de 1987, também feito exclusivamente para a televisão e com outros personagens. No caso, Bud Cort representa Alex West, um dos colegas de Norman Bates em um asilo que resolve assumir o motel após a morte do amigo.
Tudo isso só para confirmar que nada supera o original.
Numa Realização do Pipoca Moderna!

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